quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Um texto Engraçadinho Sobre Como os Problemas & as Infelicidades, São Reduzidas a Nada, quando Estamos Com quem Ilumina Nossas Vidas.



De madrugada o telefone tocou e era alguém procurando Ivete. Depois disso não consegui mais dormir direito, rolei na cama, tomei três copos d’água. Quando finalmente peguei no sono o despertador tocou, fui tentar caminhar em direção ao banheiro ainda de olhos fechados e bati com a cabeça na porta. Não achei meu chinelo, a resistência não funcionava, tomei banho frio. Roupa do varal não havia secado, vesti aquela calça jeans de quando eu tinha 15 anos, coloquei a blusa que estava em cima da cadeira. Essa era a que eu tinha separado pra lavar na noite anterior porque tinha uma mancha de molho na manga. Só notei quando já estava dentro do ônibus.
Cheguei no trabalho, tinha esquecido da reunião do projeto. Entrei na sala no meio, recebi aqueles olhares de reprovação, desabei numa cadeira. Joguei a bolsa pro lado, peguei o celular, bateria acabando. Tinha esquecido o carregador. Tentei me concentrar, em quinze minutos estava dormindo, quase caí pro lado. Fui acordado pela Soraya perguntando se eu queria acrescentar alguma coisa. Vaca. Bocejei, tentei manter os olhos abertos, não conseguia. Fiquei nessa pelas próximas 3 horas, enquanto falavam sobre um relatório que eu não conhecia, usando uns termos técnicos que eu não entendia. Pela janela eu via os aviões decolando no aeroporto. Dormi de novo. Me acordaram de novo.
Almocei sozinha porque meus amigos estavam viajando. No restaurante tinha fila e não achavam mesa pra um. Estava com fome. Pedi ao ponto, me trouxeram mal passado, pedi pra trocar me trouxeram queimado. Deixei pra lá. No caminho de volta pensei em tomar um sorvete e pedi uma casquinha de baunilha mas só tinha mista ou chocolate. Não gosto de sorvete de chocolate.
De tarde fui revisar um texto com um gerente. Ele me mandou, eu fiz uma versão, ele reclamou, mandei de novo, ele reclamou de novo. Fiz uma nova versão, ele disse que ainda precisava melhorar, reescrevi todo, ele disse que não tinha gostado. Mexi de novo, ele disse que ia reler. Duas horas depois me mandou um email dizendo que não precisava do texto. Nessa hora a internet caiu.
Me chamaram pra outra reunião e já era bem tarde. Sentei na sala e me perguntaram se eu podia fazer a ata. Eu disse que não, ia precisar sair cedo, tinha um vôo. Me disseram pra fazer a ata mesmo assim e eu acabei não conseguindo dizer não. Tinha dito que ia sair cedo mas mesmo assim, quando eu saí cedo, fizeram de novo o olhar de reprovação. Peguei a malinha, desci, fui procurar um táxi, vi que não tinha sacado dinheiro. Voltei pra ir ao banco.
No aeroporto me mandaram despachar a mala mesmo ela sendo pequena, me deram um aviso falso de cancelamento, o vôo atrasou mais de meia hora. Tinha fila no quiosque de pão de queijo, eu tinha esquecido de levar um livro, me ligaram do trabalho pra perguntar sobre um folheto.
Entrei no avião. Comprei janela mas tinha um cara sentado na minha poltrona, tive que pedir pra ele levantar, ele não quis, tive que discutir, ele foi embora xingando. Aeromoça derrubou coca-cola na minha calça e serviu um mix de castanhas que só tinha passas. Nunca gostei muito de passas. Senti aquela dor no ouvido quando o avião pousou. Minha mala era a última na esteira e tinha umas marcas estranhas do lado de fora.
O taxista disse que conhecia o teu endereço mas na verdade não conhecia. Ninguém dessa cidade sabe chegar ai na tua casa. Confundiu os bairros, pegou duas ruas pelas quais eu nunca tinha passado, parou num posto de gasolina pra pedir orientação. Orientaram errado. Demos mais duas voltas, falamos com policiais, perguntamos pro cara do gás. Chegamos na rua certa pelo lado errado e ele ainda me cobrou sessenta reais.
Desci na sua porta, tirei a mala do bagageiro, arrumei o cabelo com a mão e toquei seu interfone. Tentei dobrar a manga pra não aparecer a parte que tinha manchado com molho. Tu desceu de pijama verde, abriu a porta, e se curvou pra me beijar. Me deu um beijo e me perguntou se estava tudo bem, como meu dia estava sendo. E aí eu olhei para aquele seu sorriso e sem a menor necessidade de mentir consegui dizer que até ali estava tudo indo perfeitamente bem.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Encontrei uma cidade inteira entre suas pernas.
caos
confusão, 
e um intenso tráfego do que eu chamaria de paixão se não fosse tão doce na ponta da minha língua. 
Eu pude ouvir tu gemer 
enquanto eu desconstruía os edifícios que tu mesmo construiu 
pra ofuscar o infinito do teu céu.
 Eu pude ver tu revirar os olhos 
enquanto eu redesenhava as rodovias, 
mapeava campos e plantações inteiras de
 begônias e hibiscos no corpo pulsante que pra mim foi um
 deserto 
durante 
tanto
 tempo.
 Os meus muros pichados de porra sem vaidade, 
sem poesia, sem desejo;
 dedos que testemunharam apenas 3,5 graus na escala Richter.
 Eu poderia dizer apenas que adoro quando tu abre as pernas e empurra minha cabeça para que eu engula tu inteiro, 
mas com toda a ternura e delicadeza 
que esconde no gosto do teu
 pau,
 não consigo pensar em nada 
além
 de
 poesia.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Matinal.

Acordou excitada naquela sexta-feira de manhã. Olhou para o lado, ele dormindo e sentiu fluindo sua admiração. Seu tesão. Decidiu beijá-lo na testa, na barba, no peito, na barriga  e continuar a descida.
Ele, claro, acordou levemente assustado e, sem que tivesse tempo de dizer qualquer palavra, ganhou um beijo demorado. Ao fim, o recado:


- Avisa no trabalho que hoje tu chega atrasado. Tu só sai dessa cama quando eu te deixar louco e cansado.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O Teu Cálice.

Me tatua na alma. Diz que não quer calma.  Que quer é ápice, nós e mar. Quer é vontade, noites e tuas mãos me percorrendo. Me lendo. Aliás, sobre minhas mãos, elas eu não empresto, não alugo, nem vendo. Minhas mãos eu te dou; que é pra fazer jus à expressão ‘andar de mãos DADAS’.
Eu te dou minhas mãos e te dou tudo de todas as formas que tu quiser. Mas falta o teu querer. 

Falta tu. Falta ver o que o sol faz na tua pele. Falta sentir que, entregue, tu sussurra meu nome. Pede por mais e pensa em ficar ali pra sempre. Na cama, no peito; daquele jeito. Do nosso jeito.


Acaba comigo. Dá sentido ao beijo enlouquecedor. Me pede pra não parar. E, te garanto, será rara uma conexão como a nossa. Pois quem gosta do amor em sua totalidade não perde um mísero segundo de intimidade. Te quero nu porque tu é tu. Real. De verdade. E da mentira, porra... dela já bebi cálices demais.


Cale-se. Deixa eu falar: te amo. Tu me desperta algo além dos planos. Cheguei à conclusão de que não quero calma e que eu vou te tatuar é na minha alma.

sábado, 4 de abril de 2015

Carta Para Um Namorado Ausente

A verdade é que eu estou sentindo sua falta. Eu queria achar uma forma mais madura, mais sutil e possivelmente menos carente de dizer isso, mas acho que não tem como. Eu sinto sua falta, eu estou com saudades e eu gostaria que tu estivesse aqui comigo, porque sem ti está sendo complicado. Sério, muito complicado. Assim, foda mesmo.
Sabe essa coisa toda de quando a pessoa está longe tu entender que está amando, o tempo demorar pra passar, a comida não ter mais o mesmo gosto e você se pegar citando involuntariamente um dueto entre Bryan Adams e Justin Timberlake e ficar muito envergonhado tanto por uma coisa quanto pela outra? Bem, é assim que eu estou me sentindo. Sem ti as coisas não tem tanta graça, o mundo não é tão divertido e eu viro uma menina que é mais atento a carreira solo de ex-boy band do que deveria. É apenas errado, sabe?

Não que eu não entenda o valor da distância. É, eu sei, todo mundo precisa de espaço, todo mundo precisa de ar, todo mundo precisa de perspectiva. Pode ser que um tempo longe ajude a ter certeza de coisas, confirme teorias, renove sensações e algumas pessoas até acham que todo relacionamento precisa ter um elemento de saudade pra funcionar, talvez como estímulo, algo do tipo. Claro que nesse momento, quando eu estou pensando seriamente em tentar fazer uma versão sua usando dois travesseiros e um balão eu talvez não seja a melhor pessoa do mundo pra opinar sobre isso, mas eu entendo o conceito.
A verdade é que eu me desacostumei a ficar sem ti. É tudo tão melhor com o seu sorriso, com o seu beijo, com o seu cheiro, que ficar sem ti parece bobo, sem graça…errado. Desde que tu saiu daqui tudo que eu penso é em falar contigo, te abraçar, ouvir a sua voz.
Em suma: sinto sua falta, Jose Otavio. E por favor, não desvalorize os meus sentimentos como tu fez da outra vez, dizendo que sempre que tu vai ao mercado ou na cidade ao lado para uma reunião rapida feito agora eu me comporto que nem uma garotinha e faço esse circo todo. Isso me magoa. Sério.
ps: eu sei que tinha prometido parar de mandar esses sms longos, esse foi o último.